Certamente você conhece o dito popular: "esmola demais, o santo desconfia"!
Disserto, por alguns instantes, sobre como é fácil "não desconfiar". Este texto é um chamado à despertar para a realidade espiritual.
Durante uma aula, em uma universidade, um dos alunos, inesperadamente, perguntou ao professor:
‒ O senhor sabe como se capturam os porcos selvagens?
O professor achou que era uma piada e esperava uma resposta engraçada. O jovem respondeu que não era uma piada, e com seriedade começou sua dissertação:
‒ Para capturar porcos selvagens, primeiro localiza-se um lugar na floresta que os porcos selvagens costumam frequentar, e ali coloca-se um pouco de milho no chão, diariamente. Assim, os porcos selvagens vêm diariamente para comer o milho "grátis" e, quando se acostumam a vir diariamente, você constrói uma cerca no entorno do local, onde eles se acostumaram a comer, um lado de cada vez.
Aí, quando eles se acostumam com a cerca, eles voltam para comer o milho, e você constrói outro lado da cerca. Eles voltam a acostumar-se e voltam a comer. Você vai construindo a cerca no entorno, pouco a pouco, até instalar os quatro lados do cercado em torno dos porcos. No final, instala uma porta no último lado.
Os porcos já estão habituados ao milho fácil e às cercas e assim começam a vir sozinhos pela porta de entrada. É aí que você fecha o portão e captura a todo o grupo. Simples assim, no passo a passo, até que no último segundo os porcos perdem sua liberdade.
Eles começam a correr em círculos dentro da cerca, mas já estão presos. Depois, começam a comer o milho fácil e gratuito. Ficam tão acostumados a isso que esquecem como caçar por si mesmos, e por isso aceitam a escravidão. Mais ainda, mostram-se gratos com os seus captores e, por gerações, vão felizes ao matadouro. E nem desconfiam que a mão que alimenta é a mesma que lhes abate.
O jovem comentou com o professor que era exatamente isso que ele via acontecer no seu país, no seu estado, em sua cidade, com o seu povo.
Sirvo-me da história e construo um pequeno raciocínio com aplicação imediata para as nossas vidas.
É exatamente assim que o pecado faz conosco.
Sabendo-se que pecado é desacordo, falta ou violação, é preciso dizer que ele traz prazer, pois é alimento para a carne. Sem medo de errar: verdadeiro “almoço grátis”.
Somos inclinados a olhar a grama do vizinho, reclamar pelo que não temos e desejar o que não precisamos. Em qualquer área.
Somente que, chega um momento que, o que antes nos chocava, já não o faz mais. O que antes era perigoso, tornou-se até agradável. O que antes era pecado, já está moldado, com novas formas, nova roupagem e é aceito.
O que mudou? Nos conformamos, nos amoldamos aos padrões do mundo. O mundo é este sistema corrupto, que cauteriza a consciência, desumaniza a pessoa, prende a alma e fortalece a relação de inimizade para com Deus.
Sem percebermos, e mesmo apercebidos também, somos engolidos pela moda ditada na mídia, pela busca insana pelo corpo perfeito, pelo ter e conquistar descabidos. E assim, o perene toma o lugar do eterno!
Se não cuidamos, somos conquistados pelo sucesso fácil, em nome de uma religiosidade democrática e liberal, e nos acostumamos com o milho gratuito por tempo suficiente para alcançar a mansidão teológica, a mansidão doutrinária e a mansidão de princípios.
Mas, assim como é santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem, pois está escrito: "Sejam santos, porque eu sou santo". (1 Pedro 1:15,16).
Fuja da esmola, fuja do “almoço grátis”. Ele não existe!
Carlos R. Silva
14/03/2017
- Texto da ilustração circulante nas redes sociais.
- Textos bíblicos: Bíblia Sagrada versões NVI e ACF.
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